Após as onze meditações anteriores desta série, certamente ficou claro para nós que o Anticristo, que deve surgir nos Tempos Finais, antes da Segunda Vinda de Cristo, será uma pessoa profundamente influenciada por Satanás. Ao perverter a união hipostática do Filho de Deus, que assumiu a natureza humana sem perder a divina, o Anticristo entrará em uma espécie de “união pseudomística” com Lúcifer. Solovyov faz alusão a isso no “Breve Relato sobre o Anticristo”, que resumi na terceira parte desta série. (https://br.elijamission.net/parte-iii-o-anticristo-segundo-o-relato-de-solovyov/).
Dado que será desta forma, a resistência contra o Anticristo terá de se dar principalmente no plano espiritual. Quero destacar que não devemos esperar até que o tenhamos identificado, para começar a intensificar esta luta. Devemos estar alerta desde já, porque o espírito anticristão sempre se manifiesta no mundo e, na atualidade, atua com particular intensidade. Caso tenhamos de vivenciar o reinado, o domínio concreto do Anticristo, devemos estar preparados e já ter assumido o lugar que o Senhor destina aos “seus chamados, escolhidos e fiéis” no exército do Cordeiro (cf. Ap 17,14).
Para tanto, vale a pena deter-se a refletir sobre esta passagem da Carta de São Paulo aos Efésios, na qual ele deixa claro que a luta se trava, antes de tudo, contra “os principados e potestades, os príncipes deste mundo tenebroso e as forças espirituais do mal espalhadas nos ares”. O texto diz o seguinte:
«Fortacelei-vos no Senhor pelo seu soberano poder. Revestí-vos da armadura de Deus, para que possais resistir às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, os príncipes deste mundo tenebroso e as forças espirituais do mal espalhadas nos ares. Tomai, portanto, a armadura de Deus, para que possais resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis no cumprimento de vosso dever. Ficai alerta, à cintura cingidos com a verdade, o corpo revestido com a couraça da justiça e os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da Paz. Sobretudo, embraçai o escudo da Fé, com que possais apagar todos os dardos inflamados do Maligno. Tomai, enfim, o elmo da salvação e a espada do espírito, isto é, a palavra de Deus. Intensificai vossas orações e súplicas. Permanecei em constante oração movidos pelo espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos.” (Ef 6,10-18).
Nós, os fiéis, somos lembrados dessa dimensão da batalha espiritual para que possamos nos armar. É impossível sair vitorioso nesta batalha sem a ajuda de Deus. Afirmar o contrário seria presunção! Essa luta, travada contra um inimigo invisível, é de caráter espiritual e, portanto, deve ser combatida com armas espirituais.
Antes de tudo, a passagem de Efésios nos diz: “Fortalecei-vos no Senhor pelo seu soberano poder”. Por meio da união íntima com o Senhor no caminho do discipulado, a força de Deus cresce em nós. E a sua força e o seu poder nos capacitam a resistir a esses espíritos.
«Cingidos com a verdade» significa viver de acordo com a vontade de Deus, seguir a seu Filho, e também ser sinceros com nós mesmos e com os outros. Practicar a verdadeira justiça é uma «couraça» que nos protegerá dos dardos do Maligno.
Nesta batalha, também somos chamados a tomar a iniciativa. Ou seja, não se trata apenas de nos defendermos; podemos também passar à ofensiva contra o reino do Mal, agindo no Espírito de Deus. Isso acontece quando proclamamos o Evangelho, pois, quando as pessoas ouvem a Boa Nova e a acolhem, o Senhor arrebata almas do domínio das trevas. A cada pessoa que vivencia uma verdadeira conversão, o reino do Mal é enfraquecido. Essa é mais uma razão pela qual a propagação do Evangelho é tão importante.
Usar o “escudo da fé” significa apegar-se firmemente a Deus e a tudo o que Ele nos confiou como verdade. Esse “escudo” nos protege de pensamentos malignos que nos atacam como flechas envenenadas (por exemplo, pensamentos contra a fé, dúvidas intensas, etc.).
Se empunhamos a «espada da Palavra de Deus», que separa a verdade da mentira e é luz em nossas sendas obscuras (cf. Sal 119, 105), então as trevas dos anjos caídos terão que ceder.
Vemos, então, que Deus se vale até mesmo da inimizade do Maligno para o bem dos Seus fiéis, chamados a resistir e, assim, fortalecerem-se na fé. Além disso, por meio dos seus, o Senhor triunfa sobre as forças do mal na Terra; pois o Reino de Deus está destinado a expandir-se, embora o diabo e seus sequazes lutem contra isso. Assim, temos a honra de combater no exército de Deus! Ao nosso lado estão os anjos fiéis, os santos no céu e até mesmo a multidão de almas bem-aventuradas no Purgatório. Todos eles intercederão por nós!
A oração constante e perseverante nos prepara para sair vitoriosos em Cristo. A vitória encontra-se somente n’Ele! O Senhor triunfou sobre as forças do mal, derrotando-as de uma vez por todas, e elas não mais poderão atormentar-nos na eternidade. Contudo, enquanto durar a nossa peregrinação por este mundo, elas nos cercarão e atacarão como leões que rugem, tal como São Pedro nos adverte em sua Epístola (cf. 1 Pd 5,8).
O Senhor prepara os seus de muitas maneiras, para que possam resistir até mesmo aos tempos do regime global e ao terror do Anticristo. Não devemos nos concentrar excessivamente em tudo o que o “Filho da Perdição” poderá infligir à humanidade durante o seu reinado. O essencial é permanecer unidos ao Senhor e não nos desviarmos, nem que seja minimamente, da verdadeira fé, recusando-nos a ser seduzidos tanto pelo espírito maligno que atua no mundo quanto pelo espírito anticristão que se infiltrou na Igreja.
Com a meditação de amanhã, concluiremos a série sobre a ameaça anticristã e como afrontá- la.
