Hoje iremos meditar sobre a leitura do XVI Domingo após o Pentecostes, de acordo com o calendário tradicional.
Ef 3,13-21
Meus irmãos, por isso, vos rogo que não desfaleçais nas minhas tribulações que sofro por vós: elas são a vossa glória. Por esta causa dobro os joelhos em presença do Pai, ao qual deve a sua existência toda família no céu e na terra, para que vos conceda, segundo seu glorioso tesouro, que sejais poderosamente robustecidos pelo seu Espírito em vista do crescimento do vosso homem interior.
Que Cristo habite pela fé em vossos corações, arraigados e consolidados na caridade, a fim de que possais, com todos os cristãos, compreender qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, isto é, conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo o conhecimento, e sejais cheios de toda a plenitude de Deus. Àquele que, pela virtude que opera em nós, pode fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou entendemos, a ele seja dada glória na Igreja, e em Cristo Jesus, por todas as gerações de eternidade. Amém.
Juntamente com São Paulo, nós também dobramos os joelhos diante do Pai, diante da maravilhosa presença de Jesus no tabernáculo e diante do Espírito Santo que foi enviado para permanecer conosco para sempre. O relacionamento do cristão com Deus tem um caráter sobrenatural. Não se trata de uma religiosidade meramente natural, semeada por Deus em nosso coração quando Ele nos criou; mas, como ouvimos na meditação de ontem, ela vem da Revelação de Deus, que nos chama a abraçar a fé e a seguir Cristo. Assim, podemos adorar a Deus em Três Pessoas, um conhecimento que nossa fé cristã nos concede e que é de grande importância.
Deus quer compartilhar sua riqueza conosco e nos tornar participantes dela. Ele faz isso de muitas maneiras, especialmente por meio do Espírito Santo que foi derramado em nossos corações (cf. Rm 5,5). A Igreja nos ensina que o Espírito Santo é o amor entre o Pai e o Filho. E esse amor, no qual devemos estar enraizados e fundamentados, aumenta a força e o vigor dentro de nós.
Nossa fé deve ser poderosa, o que não significa força humana; trata-se de estar firmemente alicerçado na verdade. Devemos conhecer nossa fé e fortalecê-la e aprofundá-la sempre que ouvirmos a doutrina correta. Isso nos fortalece em nossas convicções, especialmente nestes tempos em que muitas coisas se tornaram confusas na própria Igreja. A Palavra de Deus é a luz em nosso caminho (cf. Sl 119.105), e nela podemos nos apoiar com firmeza.
A fortaleza é um dos dons que Deus incutiu em nós e que nos permite professar nossa fé, superar as desvantagens que podemos sofrer por causa do Senhor e até mesmo dar a vida por Ele. O dom da fortaleza vai além da virtude da coragem, por mais louvável que seja, e nos ajuda a dar cada passo rumo à entrega total a Deus, rumo ao cumprimento de nossa vocação. É Seu Espírito que opera isso em nós, e é esse Espírito que podemos invocar e viver em íntima comunhão com Ele. Ele também nos dá uma compreensão mais profunda do amor de Cristo, pois nos lembra de tudo o que Jesus disse e fez (cf. Jo 14,26) e nos revela seu significado.
Não posso deixar de incentivá-lo a entrar em um diálogo íntimo com o Espírito Santo: falar com Ele, pedir-Lhe que abra nossos ouvidos internos para entender Seus estímulos e perceber Sua orientação gentil, porém firme. Ele é nosso Amigo divino e nosso Mestre! O Senhor o chamou de “Paráclito”, ou seja, Consolador (cf. Jo 15,26). De fato, ele nos consola com sua presença divina e, desde que não nos fechemos, ele sempre nos mostrará o caminho a seguir, o próximo passo a ser dado; ele nos incentivará a ser pacientes e a confiar.
Dessa forma, duas afirmações muito importantes da leitura de hoje ganham vida. Por um lado, a plenitude de Deus cresce em nós. Ao ouvir e seguir as instruções de nosso “Amigo divino”, Deus poderá nos preencher cada vez mais com seu amor. E é disso que se trata! São Paulo fala até mesmo de nos encher com “toda” a plenitude de Deus. Nosso amor humano e, portanto, imperfeito e fraco, é purificado e fortalecido pela presença do Espírito Santo. Ele até nos capacita a agir de uma forma movida pelo amor divino, que ultrapassa em muito nossa capacidade humana de amar.
Portanto – e aqui entra em cena a segunda afirmação da leitura – Deus pode, por meio de seu poder que atua em nós (ou seja, por meio de seu Espírito Santo), fazer muito mais do que podemos pedir ou imaginar, porque confiamos a ele a direção de nossas vidas. Assim, Deus é glorificado na Igreja – da qual somos membros (cf. 1Co 12,27) – e em Cristo, que é sua Cabeça (cf. Cl 1,18).
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Reflexão sobre o Evangelho do dia no Novus Ordo:
