Terça-feira da Segunda Semana da Páscoa “A ressurreição da carne (II)”

Retomemos hoje a sã doutrina sobre a ressurreição dos mortos. Esta certeza é tão essencial que São Paulo chega a afirmar: «Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã é também a vossa fé» (1Cor 15,13-14).

Visto que a nossa fé católica nos comunica a luz da verdade, ela é curadora em todo o sentido da palavra. Não há nada que introduza mais o ser humano em sua verdadeira identidade do que reconhecer a verdade pela graça de Deus e aceitar a salvação que Ele, em sua infinita misericórdia, lhe oferece em Cristo Jesus. Se permanecer na verdade, o Pai celestial poderá restabelecer nele a imagem segundo a qual o criou. Na eternidade, alcançará a sua plenitude. Por outro lado, não podemos ignorar o fato de que o homem, por sua própria culpa, pode falhar com o propósito para o qual foi criado e, consequentemente, estar eternamente separado de Deus, sofrendo tormentos indizíveis. Esta verdade de fé sobre o inferno também é proveitosa, pois pode nos sacudir e nos lembrar que teremos de prestar contas de nossa própria vida, exortando-nos assim a optar pela verdade.

O que acontece quando uma pessoa morre? A Igreja Católica ensina que, imediatamente após a morte, ocorre o juízo particular, no qual se decide o destino eterno do falecido mediante uma sentença divina.

Com a morte, a alma se separa do corpo. Após o juízo particular, ou a alma já se encontra com Deus, ou tem de atravessar primeiro uma purificação antes de gozar da visão beatífica, ou fica separada para sempre d’Ele e submetida aos tormentos do inferno. O corpo, por sua vez, se decompõe.

Dado que Deus criou o homem com alma e corpo, o estado de separação entre estes dois elementos só está previsto até o dia da ressurreição da carne, no fim dos tempos. Então, o corpo voltará a unir-se à alma e o ser humano será completamente restaurado, podendo participar da bem-aventurança do Céu em toda a sua integridade ou, pelo contrário, sofrer em corpo e alma os tormentos da separação de Deus.

O Catecismo Romano oferece uma descrição maravilhosa e reconfortante de como será o corpo ressuscitado:

«Não somente ressuscitarão os corpos, mas lhes será restituído também tudo o que pertence à integridade de sua natureza, e à beleza e adorno do homem. Sobre isto lemos um ilustre testemunho de Santo Agostinho, que diz assim: “Nenhum vício haverá então nos corpos: se alguns tivessem sido excessivamente gordos, não retomarão toda a moleza do corpo, mas será reputado supérfluo aquilo que exceder a sua devida proporção. E, ao contrário, Cristo restituirá por virtude divina tudo o que a enfermidade ou a velhice tivesse consumido no corpo, como também o que faltar aos que tivessem sido muito magros e franzinos, porque Cristo não somente nos devolverá o corpo, mas também tudo o que a miséria desta vida nos tiver tirado”.

E em outro lugar: “Não só recobrará o homem os cabelos que teve, mas os que for decente ter, segundo aquilo: Todos os cabelos da vossa cabeça estão contados, porque hão de ser restituídos segundo a divina sabedoria”.

Em primeiro lugar, pois, restituir-se-ão todos os membros, porque todos pertencem à perfeição e inteireza da natureza humana. E assim, os que tivessem sido cegos, tanto desde o nascimento como por causa de alguma doença, coxos, totalmente mancos ou debilitados em quaisquer membros, ressuscitarão com um corpo inteiro e perfeito. Caso contrário, não ficaria totalmente satisfeito o desejo natural da alma de unir-se com o seu corpo; desejo que cremos com certeza que há de ser cumprido na ressurreição.

É manifesto, por outro lado, que a ressurreição dos corpos, bem como a criação dos mesmos, encontra-se entre as mais estupendas obras divinas. E assim como no princípio Deus fez todas as coisas perfeitas, assim também sucederá na última ressurreição».

Que sublime ensinamento nos oferece a Igreja a este respeito e com quanta delicadeza no-lo explica Santo Agostinho! Nosso Pai celestial tem tudo previsto e deseja ter o homem consigo na eternidade, em toda a sua perfeição. Este não só se deleitará no próprio Deus e se maravilhará diante da gloriosa beleza dos anjos que permaneceram fiéis ao Senhor, mas também admirará a perfeição de seus irmãos e irmãs humanos, a quem verá em todo o esplendor de sua glória. Sem um pingo de vaidade, deleitar-se-á também em si mesmo e dará graças ao Senhor por tê-lo chamado à vida e por tê-lo remido. Assim, jamais cessará o seu louvor a Deus, a quem adorará eternamente junto com todos os anjos e santos.

Amanhã continuaremos com este maravilhoso tema.

______________________________________________________

Meditação sobre a leitura do dia: https://es.elijamission.net/hechos-de-los-apostoles-hch-432-37-comunidad-de-bienes-de-la-iglesia-primitiva/

Meditação sobre o evangelho do dia: https://es.elijamission.net/el-espiritu-interpreta-la-escritura/

Baixar PDF

Supportscreen tag